Após 48h de resistência, movimentos desocupam a Câmara Municipal de São Paulo

Após 48h de luta e resistência dos movimentos sociais, culturais e estudantes de São Paulo, o plenário da Câmara Municipal de São Paulo foi desocupado nesta sexta-feira (11) pelos manifestantes que protestaram em defesa do Passe Livre Estudantil e contra as privatizações do governo Doria.

Neste Dia do Estudante, os manifestantes escreveram mais um capítulo importante na história de luta em defesa da garantia de direitos da população da cidade. Após deixarem a ocupação, os mais de 70 manifestantes fizeram uma coletiva de imprensa e, em tom de jogral, leram uma carta para detalhar suas reivindicações e conquistas nas 48h de ocupação. “Ousamos e tivemos a coragem de carimbar o prefeito João Dória como marqueteiro que tira o leite das crianças, joga água nos moradores de rua, apaga as cores da cidade e acaba com os serviços públicos”, disseram.

Entre as conquistas dos estudantes, estão a realização de uma audiência pública, o compromisso de passar o PDL do Plebiscito pelo Colégio de Líderes na Câmara, com fala do movimento social e o compromisso de não criminalizar a ocupação. “Saímos hoje, no dia do estudante, quando lembramos a vida e a luta de Edson Luiz. Temos a certeza de que aqui não temos espaço para avançarmos em nenhuma negociação e de que a nossa luta continua nas ruas e no diálogo com toda sociedade paulistana, já que este governo não o faz”.

Leia a carta na íntegra:

“São 48 horas de ousadia, resistência e luta! Os movimentos sociais, culturais e os estudantes de São Paulo, numa grande ação unitária, ocuparam a Câmara Municipal dos Vereadores da principal capital do país.

Desde o primeiro momento, em que o prefeito João Doria, anunciou um pacote de privatizações, concessões e parceiras, que vendem e rifam os patrimônios públicos da cidade, não saímos das ruas.

Da mesma forma que o Doria, não tem direito de entrar na nossa casa e vender nossa geladeira sem nossa autorização, ele não pode vender os bens públicos, que são seus, meus e de todos nós, sem a nossa autorização. Isso é privatizar. Colocar nas mãos de poucos, os direitos que são de todos nós.

Construímos atos, paralisações e buscamos, incansavelmente, o diálogo com a câmara. Mas as vozes do povo, aqui na casa do povo, não são ouvidas. OCUPAMOS! E a primeira resposta, foi nos impor uma greve de fome e sede por mais de 8 horas.

Desde o inicio foi impossível qualquer diálogo equilibrado com o presidente desta casa, Milton Leite. Não assumiu nenhum compromisso real com as reivindicações da luta. Além disso, o prefeito João Doria, teve uma ação orquestrada para dissuadir os vereadores e vereadoras em garantirem que o PDL de um Plebiscito fosse para votação no plenário desta casa, para que o povo pudesse decidir os rumos da cidade. Um verdadeiro trator, que minou qualquer possibilidade de avançarmos em negociações com o legislativo de SP.

E mesmo diante de todas as tentativas de Milton Leite e João Dória, de tentar nos retirar a força, com pressão psicológica, proibição de entrada de mantimentos e até mesmo dos vereadores e vereadoras da casa, ontem, a justiça reconheceu, numa ação judicial histórica, a legitimidade desta ocupação proibindo que o prefeito e presidente da câmara nos despejassem de forma violenta e imediata do plenário. Eles queriam nos escorraçar da casa do povo e foram impedidos pela força e enraizamento que a nossa luta construiu.

Conquistamos: uma audiência pública, o compromisso de passar o PDL do Plebiscito pelo Colégio de Líderes desta casa, com fala do movimento social e o compromisso de não criminalizar a ocupação. Saímos hoje, no dia do estudante, quando lembramos a vida e a luta de Edson Luiz. Temos a certeza de que aqui não temos espaço para avançarmos em nenhuma negociação e de que a nossa luta continua nas ruas e no diálogo com toda sociedade paulistana, já que este governo não o faz.

Escrevemos mais um capítulo da história do país. Ousamos e tivemos a coragem de carimbar o João Dória como o marketeiro que tira o leite das crianças, joga água em moradores de rua, apaga as cores da cidade, desmonta os serviços públicos e quer vender os nossos patrimônios. Não daremos paz! Segunda-feira, estaremos em cada gabinete desta casa, cobrando o Plebiscito.

Convidamos a todas e todos a somarem na luta, contra as privatizações e em defesa do Passe Livre Estudantil. No dia 17, construiremos um grande ato, da Jornada de Lutas das Juventudes para dizer ao Dória que resistência nos define e não vamos descansar. Apenas começamos! A luta continua.

 

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